quinta-feira, 9 de junho de 2011

Proposta de redação - Romance Policial

Romance Policial

        Augusto era de uma família tradicional: os Prado. Quando tinha, aproximadamente, 26 anos, seus pais e seu irmão morreram em um misterioso acidente de carro. Se não fosse pela falha de relógio que não despertou, Augusto seria também vítima do acidente. A real causa do mesmo não foi identificada. Acreditou-se que o pai de Augusto perdera o controle do carro e entrara na contramão. Entretanto, nada foi comprovado.
     A família possuía uma empresa que desenvolvia sistemas computacionais. A mesma se chamava PraComp e era nacionalmente conhecida. O pai de Augusto, o senhor Euclides Prado, era o presidente e contava com a ajuda de um primo seu, chamado Glauco, que era responsável pela vice-diretoria.
    Com a morte de seu pai, Augusto, na época um tanto jovem e inexperiente, foi destinado a assumir a direção da PraComp, uma vez que era o único herdeiro da família. Augusto e Glauco sempre foram muito próximos. Sempre saíam juntos para festas e passeios. A família Prado o acolhera como um filho, já que ficara órfão aos 11 anos de idade. Quando Augusto assumiu a diretoria da empresa, a proximidade entre os dois aumentou consideravelmente. Eles ajudavam-se mutuamente e a afinidade entre os dois crescia cada vez mais.
    O rapaz já conhecia e dominava todas as artimanhas para reger uma empresa quando, aos 60 anos, conheceu a bela Sofia; uma mulher linda, com olhos verdes e cabelo castanho escuro; andava de maneira elegante que destacava as forma de seu corpo belo e exuberante. Sofia era uma mulher inteligente e sábia, apesar da pouca idade. Entretanto, mostrava-se uma pessoa ingênua e com pouca maldade. A bela mulher estava na chamada “flor da idade”, com seus 25 anos. Após um ano e meio de namoro, decidiram se casar.
      A mulher de Augusto interessava-se pelos assuntos da empresa. O amor era o combustível do casamento dos dois. O homem dedicava-se a agradá-la. Com isso, sua relação com seu primo, outrora grande amigo, passou a ser marcada pela formalidade profissional.
      Certo dia, Augusto descobriu algo que fez com que ele fosse obrigado a demitir seu primo. Glauco havia desviado dinheiro do caixa da empresa para sua conta bancária pessoal. Ele tentou defender-se, mas qualquer argumento usado era rebatido pelas provas: extratos bancários que detalhavam as transferências. Augusto foi embora conturbado com o que acontecera. Chegou em sua casa e contou à esposa. Ela reagiu de maneira surpresa e demonstrou certo pesar pelo fim trágico da amizade dos dois.
     Cerca de seis meses após a demissão de Glauco, Leonardo – um antigo funcionário da empresa – teve uma conversa com Augusto. A conversa foi tensa e marcada por uma espécie de inquietação e ansiedade de Leonardo. Ele lhe contou algo que caiu-lhe sobre os ombros como uma parede de concreto:
“ Senhor, eu não gostaria sequer de falar-lhe isso, mas já que o Glauco foi demitido, acho que posso lhe contar. No dia em que seu pai sofreu o acidente, ele teve uma séria discussão com o Glauco. Então, um pouco mais tarde, o vi mexendo em algo no carro que seu pai viajaria no dia seguinte. Perguntei o que fazia e, nervoso, falou que o Sr. Euclides tinha lhe pedido que pegasse algo no carro. Não estou afirmando nada, só acho que seria interessante o senhor saber.”
      Ao acabar de escutar a história que o funcionário contara-lhe há pouco, tudo se encaixou como em um quebra-cabeça. Enfim, essa era a verdade: Glauco matara sua família por dinheiro. E, apenas por uma falha do relógio, não conseguiu realizar o que queria, pois ele estava vivo. Automaticamente, sentiu-se enojado com a capacidade de dissimulação do homem que fora tratado como um filho por seus pais. Quanta maldade e ingratidão! Sem hesitar, Augusto saiu, aturdido, da empresa e foi à casa do assassino. Ao chegar, não hesitou em agredi-lo física e verbalmente. O homem, aparentando nem saber o que acontecia, apenas se defendia com argumentos, sob o ponto de vista do empresário, sem fundamento e falava-lhe, com ar de conselho: “É melhor prestar mais atenção nas pessoas à sua volta! Afinal, tem muito lobo em pele de cordeiro.” Tudo o que ele lhe disse foi inútil. A ira atravessava cada músculo de seu corpo e não lhe permitia, sequer, escutar o que o assassino lhe falava. Jurou que o colocaria na cadeia.
      Augusto chegou em casa e não encontrou sua mulher. Não deu importância e aproveitou este tempo para ligar para seu advogado. Já estava em casa há uma hora quando sua mulher chegou. Ela demonstrava nervosismo, ansiedade e um desespero bastante sutil. Ele contou-lhe o ocorrido e ela, insensivelmente, pareceu não dar-lhe importância. Seus pensamentos estavam em outro lugar.
     Passaram-se quase dois anos quando Glauco foi preso. Então, Sofia assumiu a vice-diretoria da empresa. Tudo correu bem nos anos seguintes.
   Certo dia, já nos seus 84 anos, Augusto, ao ler seu jornal diário, viu uma notícia que abalou-o profundamente: “Homem responsável pelo acidente que matou parte da família Prado e acusado de roubar a PraComp consegue fugir da cadeia”. Aturdido com a notícia, o velho entra em seu BMW preto e pede ao motorista – Gabriel, um homem contratado por Sofia – que o leve à empresa.
     Ao chegar no prédio, o velho pediu à Gabriel que lhe esperasse. Ele entrou na empresa e voltou depois de, aproximadamente, 10 minutos com sua esposa. Iriam à missa, algo que raramente era feito. Entretanto, o medo fez com que Augusto recorresse ao meio espiritual e mítico.
      Na porta da igreja, o casal descia. Quando o velho abriu a porta do carro, outro BMW, também preto e com vidros escurecidos, apareceu no outro lado da rua. Sofia descia do carro no momento em que o homem desequilibrou-se, caiu e foi atropelado pelo outro carro. Ele morreu segurando a mão da esposa e os dois BMWs fugiram do local.
      Após algumas horas, os carros foram encontrados em chamas. De acordo com a versão de Gabriel – motorista da PraComp – ele foi atrás do outro carro. Entretanto, quando o primeiro parou e ele parou em seguida, foi rendido por assaltantes encapuzados e eles atearam fogo nos automóveis. O motorista do outro carro não foi encontrado. Entretanto, Glauco foi capturado em uma casa abandonada, cheia de galões vazios de gasolina, próximo ao local onde os carros foram queimados. Logo, ele foi acusado por mais um homicídio e novamente preso.
      Cerca de uma semana após a morte de Augusto, Sofia, que se encontrava um tanto abalada, decidiu viajar. Ela vendeu a empresa, os imóveis e foi para o exterior, alegando não ter condições de continuar a viver no Brasil.
        Dois meses após a morte de Augusto, Glauco foi também considerado culpado pela morte do primo. Já 
na cadeia, ele recebeu uma longa carta com um cartão postal de Veneza. Estes diziam:

“ Oi, primo, tudo bem?
 Como estão suas férias na cadeia?
 Realmente, devo admitir que Augusto fora bastante ingênuo. Preferiu acreditar em mim e não em você. Mas eu sou uma ótima atriz, não é mesmo?
  Acho que você gostaria de saber de algumas coisas, não?! Vamos por partes. Quanto às transferências, fui eu quem as fiz. Tive certo trabalho para conseguir realizá-las, mas, felizmente, obtive êxito. Desculpe-me, mas você representava um enorme risco para meus planos. Por isso, tive que tirá-lo do meu caminho.
   Para me assegurar que você não me atrapalharia, tive de convencer o Léo a falar sobre a discussão que você teve com o Sr. Euclides um dia antes de ele viajar. E, claro, que você estava mexendo no carro que ele viajaria. Muita coincidência, não?! No dia seguinte ele perdeu o controle do carro e sofreu um acidente que teve, como resultado, a morte de 3 membros da família Prado. Sem falar que eram para ser 4 vítimas, se não fosse a falha do relógio de Augusto. Realmente triste! Sinto-me até um pouco comovida!
   Esse dia foi o que mais tive trabalho. O Léo se arrependeu de ter falado aquilo para o Augusto e queria desmentir. Tive que convencê-lo e, por isso, cheguei tarde em minha casa. O Augusto já estava lá. A minha sorte é que ele estava tão eufórico que nem percebeu meu nervosismo e minha ansiedade. Então me contou toda a história que eu já sabia de cor e tive que fingir que estava surpresa.  Achei que, naquele dia, tudo acabaria.
    Entretanto, demorou pouco mais do que eu havia planejado. Já não mais agüentava aquele velho nojento e caquético. Mas tolerei. E, por isso, hoje estou aqui em Veneza, aproveitando ao máximo o que já poderia ter aproveitado antes. Mas, como diz um velho ditado, ‘os fins justificam os meios’.
    Acho que devo contar-lhe como morreu seu querido primo... Descíamos para ir à missa – sinceramente, achei patética aquela postura do Augusto – quando, de repente, fui descer do carro e me esbarrei nele. Coitado, era tão fraco que desequilibrou-se, caiu e foi atropelado pelo carro que, todos acreditam, você dirigia.
     Por favor, não me pergunte o motivo de tudo isso. Você jamais me entenderia.
                                                                  Adeus !
                       Atenciosamente,
                               Você sabe quem sou! “

      Ao acabar de ler a carta, Glauco foi tomado pelo ódio e pela ira. Entretanto, nada mais poderia ser feito!

Texto feito por: Ruan Jonathan.

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